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A Terra tem limites.
Este foi o entendimento trazido por uma das imagens mais distribuídas de todos os tempos, a fotografia conhecida como “Blue Marble” (bolinha de gude azul), imortalizada pela tripulação da Apolo 17 em sete de Dezembro de 1972. A “Bolinha de gude azul” foi a primeira imagem nítida de uma face do planeta Terra iluminada. A partir dela, passamos a conhecer nosso planeta também como a “nave espacial Terra”, fazendo referência à pequena bola azul que vaga pelo espaço sideral carregada de todas as formas de vida que conhecemos.
Em tempos de mudanças climáticas, desmatamento da Amazônia, superpopulação, mega-cidades mal planejadas, alta dos preços dos alimentos e uma vasta infinidade de preocupações prioritárias para a sobrevivência dos sistemas vivos que compõe a biosfera, uma simples pergunta parece permanecer sem resposta: O que eu posso fazer?
Muito. Se nosso planeta ficou conhecido como “a nave espacial Terra”, hoje mais do que nunca podemos nos considerar como a tripulação que pilota a nave. Temos a capacidade de decidir política e tecnologicamente qual será a concentração ideal de gases de efeito estufa (GEE) presentes na atmosfera, qual será o tamanho de nossa mordida nos recursos naturais disponíveis como cardumes de peixes, florestas naturais, rios, lençóis subterrâneos e espaço terrestre. Mais do que o tamanho da mordida, podemos decidir também quem morderá o que.
Segundo a Global Footprint Network (Rede Global da Pegada Ecológica), organização não-governamental que realiza pesquisas científicas sobre Pegada Ecológica, no dia 23 de Setembro de 2008 a humanidade terá consumido toda a área de terra disponível para produzir seus bens de consumo e absorver seus resíduos para este ano, com a tecnologia atualmente disponível. Isso significa que, se os recursos naturais do planeta forem considerados como uma conta bancária, a humanidade ficará no vermelho por 99 dias, e começará o ano de 2009 com a conta comprometida. Voltando à nave espacial Terra, seria o mesmo que dizer que o combustível da nave acabou antes mesmo dela chegar ao seu destino.
A Pegada Ecológica é uma metodologia científica utilizada para calcular com bastante precisão qual é a capacidade do planeta Terra de regenerar seus recursos naturais anualmente, absorver os resíduos gerados por toda a atividade industrial e não industrial e, finalmente, cruzar estes dados com informações sobre o consumo de recursos naturais pela espécie humana. Ou seja: calcula o saldo de quanto produzimos e quanto consumimos. E segundo os dados disponíveis, estamos consumindo mais do que a Terra pode produzir.
Mas como isso é possível?
É possível consumir mais do que o planeta produz por que a Terra possui uma “poupança” de recursos naturais que permite este consumo excessivo por um determinado período de tempo. Quanto mais gastamos a poupança da Terra, menor sua capacidade de regeneração ou, como em um investimento bancário, menores são os retornos financeiros.

No caso da Terra, o retorno ao investimento é a capacidade do planeta de regenerar os recursos naturais fundamentais para todas as espécies que o habitam. Diferente de um investimento bancário, a escolha de como aplicamos este capital tem conseqüências vitais ao menos para a humanidade.
A boa notícia é que com os recursos científicos, tecnológicos e informações disponíveis hoje, cada tripulante da nave espacial Terra tem em mãos instrumentos de navegação que fornecem dados importantes sobre o desempenho da nave, e permitem a tomada de decisões baseada em informações consistentes, de modo a manter seu bom funcionamento. Na página da Internet do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), existe uma calculadora que, através de perguntas simples sobre nossos hábitos cotidianos, coleta informações fundamentais para calcular a pegada ecológica de uma pessoa. Após o preenchimento das respostas mais adequadas, é possível ter uma boa idéia do impacto que cada um de nossos hábitos causa sobre o Planeta Terra, e a partir daí tomar decisões que definirão a saúde de nosso lar comum. É interessante notar a relação diretamente proporcional entre consumo excessivo de bens industrializados e pegadas grandes.
Então não posso mais consumir?
Pode. Mas é importante notar que tanto a quantidade como a qualidade do que consumimos reflete diretamente sobre o tamanho de nossa Pegada Ecológica. Assim, não basta reduzir o consumo, mas talvez mais importante, consumir as coisas certas. O consumo é um ato político embutido de nossos valores e princípios mais fundamentais, e decidindo onde investir nossos recursos financeiros, indiretamente estamos decidindo que cadeias produtivas, produtos e serviços queremos perpetuar, e para que rumo e direção queremos levar nossa bela e pequena “Bolinha de gude azul”.
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estou replicando no meu mailing
inte, abraço, gui